Chapadinha tem um jeito próprio de colocar a comida na mesa. Aqui o almoço costuma ser um encontro de família, o bar vira ponto de parada depois do trabalho e as confeitarias dão um toque doce ao fim de tarde. O que diferencia o paladar local é a combinação de ingredientes regionais – carne de sol, arroz de leite e frutas tropicais – com a energia das ruas movimentadas. Não tem muito turismo de passagem, então cada estabelecimento depende da gente, do vizinho, do cliente que volta porque o prato realmente agrada.

Começo o dia no AFONSO BAR, que fica na Av. Ataliba Vieira de Almeida, 2565. O lugar abre às oito e funciona até a madrugada, então dá para tomar um café forte ou um suco de fruta antes de encarar a fila do trabalho. O cardápio não tem preço fixo, mas o destaque são os petiscos de carne de sol com mandioca e a caipirinha gelada que chega na hora certa. O ambiente tem mesas ao ar livre, música baixa e um clima de bar que aceita tanto quem quer só um lanche rápido quanto quem quer ficar até o último gole. A fila costuma ser curta pela manhã, mas nos fins de semana a galera aparece para o happy hour e o bar fica cheio até a madrugada.

A poucos quarteirões, na Av. Pres. Vargas, está o Cantinho da Delma. O restaurante abre às oito e nunca fecha, o que o torna uma boa opção para quem chega tarde depois de um passeio. O preço varia de R$1 a R$20, e o prato que eu sempre recomendo é a carne de sol grelhada acompanhada de arroz de leite e feijão verde. A porção é generosa, o tempero tem aquele toque de alho e coentro que faz a diferença, e ainda tem uma seleção de cervejas artesanais na geladeira. O espaço tem decoração simples, mas as paredes com fotos antigas da cidade dão um clima de nostalgia que combina bem com a música ao vivo nas noites de sexta.

Se a ideia é fechar o dia com uma carne bem feita, o Rei da Picanha, na Rua 29 de março, Tv. da Corrente, 250, é o ponto certo. O restaurante abre às 18h30 e funciona até 23h30, exceto às terças. O preço também fica entre R$1 e R$20, mas a qualidade da picanha justifica cada centavo. Eu sempre peço a picanha na brasa, servida com farofa crocante, vinagrete e batata rústica. O molho de manteiga de alho que acompanha é um detalhe que faz o prato ficar ainda mais saboroso. O lugar tem um balcão aberto onde dá para ver a carne girando na grelha, e o barulho da chapa cria um clima animado. Nas noites de fim de semana, a fila pode chegar a quinze minutos, mas a espera vale a pena.
Para fechar a visita com um toque doce, passo na Cacau Show, na R. Sebastião Barbosa, 316, no centro da cidade. A loja não tem horário de almoço, mas abre das oito às 19h nos dias úteis e até 18h aos sábados. Lá você encontra trufas de chocolate, bombons recheados e o clássico brigadeiro de colher. Os preços variam, mas dá para levar um presente sem gastar muito. O vitrine costuma exibir uma variedade de caixas temáticas, e o cheiro de chocolate quente invade a rua, chamando quem passa. Se quiser combinar, peça um café forte para acompanhar o doce e aproveite para observar o movimento da praça ao lado.
Um roteiro fácil para quem tem um dia livre em Chapadinha começa com um café no AFONSO BAR, segue para o almoço no Cantinho da Delma, dá uma pausa para um sorvete ou chocolate na Cacau Show e termina a noite com a picanha no Rei da Picanha. Todas as paradas ficam a poucos minutos de carro ou de ônibus, e cada uma tem um ponto de referência fácil de achar: a avenida principal, a praça central e a rua que corta o centro histórico. Assim você sente o ritmo da cidade, prova o melhor da culinária local e ainda tem tempo de curtir o pôr‑do‑sol na calçada da Av. Ataliba.

