São Luís tem um jeito próprio de comer: o mar traz peixes frescos, a história traz temperos de Portugal e da África, e a rua oferece tudo em ritmo descontraído. Aqui, cada esquina tem um prato que conta uma história, e a mistura de influências faz o paladar vibrar de forma diferente de qualquer outra capital brasileira.

Começo o dia na Casa Di Amici, dentro do Shopping da Ilha, na Av. Daniel de La Touche, 987, 3° andar. O balcão serve tortas, esfirras e pão de queijo por menos de R$20. O cheiro de café recém passado e de massa assada enche o espaço, e a fila costuma ser curta, o que ajuda a entrar logo depois das 10h. Peço a torta de frango com catupiry – crocante por fora, cremosa por dentro – e um suco de acerola que custa R$8. É um jeito barato de carregar energia antes de explorar a cidade.

Para o almoço, sigo para a Coisa Mineira, um cantinho que traz o sabor de Minas para o litoral. O prato que não perco é o feijão tropeiro com torresmo, acompanhado de um arroz soltinho. O preço varia entre R$20 e R$40, bem mais em conta que o sushi do Kazumi. O ambiente tem mesas de madeira e música regional ao fundo, e costuma ter fila nos horários de pico, então chego logo após o almoço para garantir lugar. A rua onde fica fica a poucos passos da Praça da Sé, fácil de achar a pé.

À noite, a experiência muda completamente quando cruzo a avenida até o Kazumi, ao lado da Igreja do Calhau, Av. A, 613‑565, no Jardim Renascença. O restaurante de sushi tem um preço entre R$120 e R$140, mas a qualidade compensa. Peço o temaki de atum com cream cheese e o sashimi de salmão, ambos fresquíssimos. O ambiente é iluminado por lanternas de papel e o atendimento é discreto e educado. A fila costuma aparecer nas sextas, mas a reserva garante que eu chegue direto à mesa por volta das 19h.
Depois do jantar, ainda dá tempo para um café ou um doce. O Velvet Café Bistrô, na Av. Litorânea, 50B, no Calhau, abre às terças das 13h às 20h, mas a energia do lugar faz valer a visita em qualquer dia. O cardápio tem chocolate quente cremoso e brigadeiro de colher, ambos por menos de R$15. A vista para a orla é um convite para sentar na varanda e observar o movimento da avenida. O espaço costuma ter fila curta, então não preciso esperar muito para provar o bolo de cenoura com cobertura de cream cheese.
Se eu fosse montar um roteiro de um dia, começaria com o café da manhã na Casa Di Amici, pegaria a linha amarela do metrô até a estação Calhau, caminharia até a Coisa Mineira para o almoço, seguiria a pé até o Kazumi para o jantar e terminaria a noite com um doce no Velvet Café. O trajeto fica dentro de dois quilômetros, perfeito para quem quer provar tudo sem se perder no trânsito. Cada parada tem seu preço, seu clima e seu sabor, e juntas mostram por que comer em São Luís é uma experiência que vale a pena repetir.





