É sábado à tarde, o sol bate nas calçadas de R. Silva Jardim e eu já estou na fila do Dorian Cacao Venezuela, sentindo o perfume de chocolate quente misturado ao toque adocicado da rapadura que vem da cozinha. Ao abrir a porta, o barulho suave de conversas em português e espanhol se mistura ao som de música latina ao fundo, criando um clima que convida a ficar. O balcão já está cheio de clientes que, como eu, esperam pela primeira mordida da famosa arepa de carne desfiada.
O cardápio, simples porém bem pensado, destaca a arepa de carne desfiada por R$ 22, acompanhada de guacamole caseiro e molho de pimenta. A massa, leve e crocante, explode ao morder, revelando um recheio suculento que combina a maciez da carne com o frescor do abacate. Ao lado, o tequeño de queijo, R$ 18, oferece um contraste de queijo derretido e massa fina que derrete na boca. Mas o verdadeiro protagonista é a marquise de chocolate, um doce que mistura chocolate amargo com rapadura, vendido por R$ 15; cada garfada traz um amargor sutil que se equilibra com o doce caramelizado da rapadura.
“A arepa aqui tem o ponto exato, crocante por fora e macia por dentro”, escreveu Ana em uma avaliação de 2023, elogiando a consistência que faz o prato inesquecível. Já Carlos destacou o ambiente: “O cheiro de chocolate no ar me faz lembrar da infância, e o atendimento é sempre caloroso”. Outra cliente, Luiza, escreveu: “Vim pela marquise de chocolate e voltei pela energia do lugar, música boa e gente simpática”. Esses comentários revelam por que o Dorian Cacao se tornou ponto de encontro para quem busca conforto e sabor autêntico.
A história do restaurante começa em 2015, quando os fundadores, irmãos venezuelanos que migraram para Minas, decidiram trazer um pedacinho da sua terra natal. Eles escolheram a Floresta, um bairro boêmio, para abrir as portas, e desde então o espaço tem sido palco de pequenas celebrações: festas de Carnaval, noites de música ao vivo e até aulas de dança. O interior reflete essa mistura de tradição e modernidade, enquanto o balcão exibe a bandeira venezuelana.
Ao fechar a noite, por volta das 22h, o restaurante ainda vibra com risos e o som de copos brindando. Volto para casa carregando o sabor da arepa ainda na memória e a lembrança da marquise de chocolate. Cada visita ao Dorian Cacao Venezuela não é apenas uma refeição, é um convite para sentir a cultura venezuelana pulsando no coração de Belo Horizonte.






