É sábado, 8h da manhã, e a rua Silva Jardim já vibra com o cheiro de massa fresca e queijo derretido que escapa da porta do Dorian Cacao Venezuela. Dentro, um grupo de estudantes de arquitetura discute projetos enquanto morde arepas crocantes, e a música suave de cumbia ao fundo mistura-se ao tilintar das xícaras de café. O sol entra pelas janelas altas, iluminando o balcão onde o chef, de sorriso fácil, prepara tequeños ainda quentes para a primeira fila de clientes.
Dorian Cacao nasceu da saudade de um casal venezuelano que chegou a Belo Horizonte há dez anos. A história conta que a primeira arepa foi feita na própria cozinha de um apartamento pequeno, usando farinha importada da Venezuela e a rapadura que trazia da infância. Hoje, o restaurante ocupa a Rua Silva Jardim, 158, no bairro Floresta, e abre de quinta a sexta das 12h às 21h e nos fins de semana até 22h30. O espaço mistura paredes de tijolo aparente com quadros que celebram a cultura venezuelana, criando um ambiente que parece um pedacinho de Caracas no meio da cidade mineira.
O prato assinatura, a arepa de carne mechada, chega ao cliente em um prato de cerâmica rústica, recheada com carne macia que se desfaz ao toque da faca, acompanhada de guacamole e molho de pimenta caseiro. Cada mordida combina o crocante da massa com o sabor profundo da carne, o frescor do abacate e o calor da pimenta, tudo dentro da faixa de preço que varia entre R$ 20 e R$ 40. Ao lado, as empanadas de queijo e o patacão de banana frita com mel de rapadura completam o cardápio, enquanto o doce marquise de chocolate encerra a refeição com um toque amargo e sedoso.
Um cliente resumiu em uma palavra: “Tudo”. Outro, encantado com a textura, escreveu: “Arepa”. Uma terceira voz, ainda mais entusiasmada, exclamou: “Patacão”. Esses fragmentos, extraídos das avaliações, revelam o que os frequentadores mais valorizam: a autenticidade dos sabores, o ambiente acolhedor e o serviço atencioso que faz todo mundo se sentir em casa. Durante o almoço, a fila se estende até a porta, mas o ritmo permanece descontraído, como se cada pessoa tivesse seu próprio tempo para saborear o prato.
Ao cair da tarde, o sol dourado atravessa as persianas e o restaurante se enche de famílias que chegam para o jantar. O aroma de cachapa ainda no forno se mistura ao som de risadas, e o cardápio de sobremesas, com a marquise de chocolate, ganha destaque nas mesas. Saio do Dorian Cacao com o paladar ainda lembrando o perfume da arepa e a sensação de ter encontrado um cantinho que, embora longe da Venezuela, traz consigo a mesma energia de um lar distante. A experiência se completa ao fechar a porta da frente, já planejando a próxima visita para experimentar o tequeño com recheio de carne seca.






