Às 19h, a rua Francisco Deslandes começa a encher de gente que sai do trabalho. O som de um piano ao fundo mistura-se ao chiado da grelha. Dentro, a luz quente reflete nas mesas de madeira e o cheiro de carne selada domina o ar. Eu me acomodo num canto perto da janela, enquanto o garçom já traz o cardápio com capa de couro. O lugar pulsa, mas não de forma exagerada; há um murmúrio constante de conversas que se cruzam com a música ao vivo.
O Vasto ganhou fama pelas carnes nobres, e a picanha ao ponto, servida por R$ 68, é o ponto de partida para entender o porquê. O corte chega na tábua, ainda levemente rosado no centro, com a gordura crocante nas bordas. Cada mordida combina suculência e leve amargor da fumaça, e o sal grosso realça o sabor sem esconder a qualidade da carne. Ao lado, um purê de mandioquinha cremado e um vinagrete de cebola roxa dão contraste de textura. Não é surpresa que um cliente escreveu: "A picanha aqui é a melhor que já comi, a textura derrete na boca".
Mas o Vasto não se resume a carne. O camarão scampi, listado como destaque no menu, custa R$ 54 e chega em uma panela de ferro com alho, manteiga e um toque de limão siciliano. O aroma cítrico corta a gordura da manteiga e o camarão, grande e rosado, tem a firmeza de um marisco fresco. Uma revisora anotou: "O scampi tem o equilíbrio perfeito entre o alho e a acidez, impossível parar de comer". Para a sobremesa, a cocada de leite condensado, vendida por R$ 28, oferece um doce caramelizado que lembra as festas de infância, com a textura crocante por fora e macia por dentro.
O ambiente também tem personalidade. Nas sextas, o piano de João Victor acompanha um sommelier que recomenda vinhos da região, como um Merlot de 2018 que custa R$ 120 por garrafa. Lucas e Thiago, frequentadores habituais, costumam reservar a mesa perto do palco para ouvir a música ao vivo enquanto degustam o duo gourmet de foie e torrada. "A combinação de música ao vivo e pratos bem executados cria uma experiência completa", comenta outro cliente. O serviço, rápido e atencioso, garante que os pratos cheguem no tempo certo, sem pressa nem demora.
Quando o relógio marca 22h, a clientela começa a diminuir, mas o clima permanece acolhedor. O último gole de chopp gelado acompanha o som de um último acorde no piano. Saio do Vasto com a sensação de ter participado de um jantar que vai além da comida: é um encontro de sabores, sons e histórias que se repetem noite após noite. Agora, ao passar novamente pela rua, o aroma ainda me lembra da picanha suculenta e da promessa de voltar, talvez na próxima sexta, para ouvir o piano enquanto o scampi dança no prato.






