É meio-dia quente em Tambaú. O sol brilha intensamente. Um grupo de jovens ri alto enquanto escolhe entre as opções. O atendente, com um sorriso educado, entrega um copo de sorvete de cupuaçu.
Ao entrar, o interior tem uma atmosfera que lembra a floresta amazônica. O balcão exibe potes de sorvete artesanal rotulados com nomes de frutas da região. A primeira colher de sorvete de açaí traz à boca a doçura terrosa da fruta, seguida por uma textura cremosa que derrete lentamente, liberando notas de cacau. O preço, embora não listado aqui, é percebido como justo pelos frequentadores que retornam dia após dia.
As conversas sobre o lugar são animadas. “O sorvete de morango tem um sabor que lembra o frescor da manhã na praia”, escreveu uma cliente nas avaliações. Outra revisora destacou: “A equipe é sempre atenciosa, e o ambiente faz a gente esquecer do calor”. Um terceiro comentário menciona: “Nas sextas‑feiras o sorvete de cupuaçu está ainda mais cremoso, vale a pena esperar”. Essas frases revelam um padrão: a qualidade do produto combina com um atendimento que deixa o cliente confortável, como se estivesse conversando com um amigo.
A história da sorveteria começa com dois irmãos que, após uma viagem ao interior da Amazônia, decidiram trazer a diversidade de frutas para o litoral. Eles abriram a primeira loja em 2015, dentro do Edifício Solar, aproveitando a movimentação turística da avenida. Desde então, a marca se consolidou como referência de sorvete artesanal na cidade, mantendo a mesma receita original e usando frutas frescas de fornecedores locais. O cardápio, embora simples, destaca a autenticidade: nenhum aditivo químico, apenas a fruta, leite e açúcar.
Ao cair da tarde, a clientela muda. Famílias com crianças chegam para um picolé de manga, enquanto casais aproveitam um sorvete de maracujá para fechar o dia. O barulho das ondas ao fundo cria uma trilha sonora natural que combina com o ritmo desacelerado do lugar. Quando o relógio marca 7 PM, o ambiente ganha um charme íntimo, ideal para quem quer saborear um doce depois de um dia de sol.
No fim, o que permanece é a sensação de estar em um pequeno pedaço da Amazônia, mesmo estando na orla de João Pessoa. O sorvete não é apenas frio; ele traz memórias de florestas, de rios e de uma infância que ainda vive nas receitas dos irmãos. Saio da Sorveteria Trilhas da Amazônia com o paladar ainda tingido de fruta e a certeza de que, sempre que precisar de um refresco verdadeiro, encontrarei aqui o ponto de encontro entre o litoral e a selva.
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