É 4 da tarde e o sol ainda castiga a Av. Mandacaru, mas a fila na Gela Boca já está formada. Jovens de skate, mães com carrinhos e um casal de aposentados trocam sorrisos enquanto esperam o próximo lote de picolés artesanais. O ar dentro do estabelecimento tem o perfume de fruta madura, um leve toque de baunilha que vem da máquina de sorvete, e o barulho constante das colheres batendo nos copos de vidro. A atendente, sempre simpática, chama os nomes dos sabores como se fossem velhos amigos.
Gela Boca nasceu há mais de uma década como um pequeno quiosque de açaí, mas hoje ocupa uma casa inteira na Vila Santa Izabel. O cardápio gira em torno de sorvetes feitos com frutas da região – manga, maracujá, pitanga – e opções clássicas como chocolate belga. O destaque, segundo quem volta todo dia, é o “Torta de Fruta Vermelha”, uma camada de sorvete de morango sobre uma base crocante de biscoito, finalizada com calda de frutas vermelhas e granulado de chocolate. Custa R$ 12,90 e, como descreve um cliente, "é como morder o verão em forma de sorvete". Outro favorito são os picolés de coco com pedacinhos de abacaxi, R$ 5,50 cada, que derretem na boca deixando um frescor tropical.
O clima do local demonstra o carinho que conquistou entre os frequentadores. “O atendimento é sempre tão simpático que eu sinto que estou na casa da minha avó”, escreveu Ana em 2023. Já Carlos, fã de chocolate, escreveu: “O sorvete de chocolate belga aqui é o melhor que já provei em todo o Brasil”. E Laura, que costuma vir nas quartas‑feiras, destacou: “A variedade de opções veganas me faz voltar toda semana, especialmente o sorvete de açaí com granola”. Essas falas revelam um padrão: a gente vem não só pelo sabor, mas pela atmosfera acolhedora que a equipe cria, mesmo nos fins de semana mais cheios, quando o horário se estende até as 22h.
Ao fechar as portas às 22h, a Gela Boca ainda tem energia. As luzes amarelas da fachada iluminam a rua, e o som de risadas continua ecoando. O interior, com suas mesas de madeira e paredes pintadas em tons pastel, convida a quem chega a ficar mais tempo, talvez para provar um segundo sabor ou simplesmente observar o movimento da cidade. A presença constante de jovens artistas de rua nas proximidades traz um clima de criatividade que combina perfeitamente com a explosão de cores dos sorvetes.
Voltando ao início da visita, o primeiro colher de sorvete de manga ainda deixa a língua levemente ácida, seguida pela doçura da fruta que parece ter sido colhida minutos antes. A sensação de frescor se mistura ao barulho distante de um ônibus passando, criando um momento que, por mais simples que pareça, resume o que a Gela Boca representa: um ponto de encontro onde o sabor, a gente e a cidade se misturam. Se ainda não conhece, passe na Av. Mandacaru às 7 da manhã ou depois do almoço – a fila pode ser longa, mas a recompensa vale cada segundo de espera.
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