É 7 da manhã na Praia do Galeão. O sol ainda se arrasta tímido sobre a areia enquanto a brisa traz o aroma do mar. Na calçada, pescadores de chapéu largo conversam enquanto eu me acomodo num dos bancos de madeira, esperando a primeira casquinha de siri a chegar à mesa. O som das ondas bate no fundo, criando a trilha sonora de um café da manhã que parece ter sido escrito para os amantes do mar.
Aos 11 horas, a rua se enche de moradores e turistas que chegam para o almoço. O cardápio, simples mas bem pensado, destaca a casquinha de siri, o risoto de camarão e o bolinho de bacalhau. A casquinha tem carne macia que se desfaz ao toque da colher, acompanhada de molho de manteiga. Um cliente escreveu: "A casquinha de siri derrete na boca, o sabor do mar está puro". Outro visitante comentou: "O risoto de camarão tem o ponto exato de arroz arbóreo, cremoso e cheio de sabor". Uma terceira voz, de quem volta toda sexta‑feira, lembra: "O bolinho de bacalhau é crocante por fora e suculento por dentro, impossível não pedir duas porções".
O Siri da Ilha nasceu de um sonho de família: o proprietário, ex‑pescador, decidiu abrir um ponto onde o peixe fosse servido como ele mesmo o preparava nas redes. A fachada simples lembra um chalé de pescador, e dentro há mesas de madeira e redes que balançam com a brisa. O interior tem um aroma de cozinha, com o som discreto de conversas animadas e o tilintar de talheres. Às 15 horas, a clientela se mistura: famílias, casais e grupos de amigos que conversam enquanto apreciam a comida.
Ao fechar as portas às 23 horas, o Siri da Ilha ainda vibra com a energia da noite. O prato de arroz arbóreo com frutos do mar ainda está quente nas mesas que permanecem ocupadas até o último pedido. Um frequentador noturno descreve: "A atmosfera à noite é tranquila, e o sabor do mar continua intenso". O restaurante não tem pretensões de luxo; ele oferece o que há de melhor no cardápio de frutos do mar da zona, com preços que cabem no bolso e um serviço que faz cada cliente se sentir em casa.
Volto à mesma bancada onde tudo começou, agora com o sol se pondo e a brisa mais fresca. O prato final que escolho é a casquinha de siri, ainda quente. Enquanto a primeira mordida dissolve a casquinha, percebo que o Siri da Ilha não é apenas um lugar para comer; é um ponto de encontro onde o mar, a comida e a gente se misturam em um ritual diário. Saio com a sensação de ter provado um pedaço da própria costa do Rio, pronto para voltar na próxima sexta‑feira, como tantos outros.






