É 3 da tarde na Vila Vilas Boas. O ar quente traz o perfume doce de pistache que sai da vitrine da Sésamo, e a calçada já tem um grupo de estudantes, um casal de aposentados e um entregador de moto, todos aguardando sua vez. O balcão reflete a luz que entra pelas janelas amplas, e o som das colheres batendo nas taças cria um ritmo quase musical. A conversa flui entre risos e o barulho distante dos ônibus que passam na rua principal.
A Sésamo abriu suas portas há alguns anos, trazendo um conceito de sorveteria que mistura a tradição italiana com toques brasileiros. O proprietário, que estudou gelato em Florença, decidiu adaptar as receitas ao paladar local, usando ingredientes como o pistache de Goiás e frutas da região. O espaço tem paredes de tom suave, mesas de madeira clara e um balcão onde o atendente prepara as sobremesas na frente dos clientes, como se fosse um pequeno show. O horário de funcionamento se estende até 23h nos fins de semana, permitindo que a sobremesa seja a última parada da noite.
O carro-chefe da casa é o sorvete de pistache, servido em copo de vidro com duas bolas generosas, custando R$ 12,90. A textura é a primeira surpresa: cremosa, quase aveludada, com cristais de pistache que estouram na boca, liberando um sabor terroso e levemente adocicado. Ao lado, o petit gateau com sorvete de baunilha – R$ 15,50 – chega ainda quente, com o centro escorrendo sobre a bola gelada, criando um contraste de quente e frio que faz o paladar vibrar. Outro destaque são as casquinhas crocantes de doce de leite, vendidas por R$ 9,80, que trazem o toque de caramelo que lembra as feiras de Campo Grande.
O pistache aqui tem uma textura cremosa que se destaca entre os sabores. O ambiente da Sésamo tem vida, o atendimento é sempre gentil e a fila vale a pena. O petit gateau com sorvete é a certeza de uma sobremesa perfeita; o calor do bolo combina com o frio do sorvete como se fossem velhos amigos. Essas palavras ecoam nos corredores da sorveteria, reforçando a ideia de que o local não é só sobre o sabor, mas sobre a experiência compartilhada.
Quando o relógio marca 7 da noite, a fila diminui, mas a energia permanece. A iluminação dá um tom acolhedor ao interior, e o som de conversas se mistura ao ranger das colheres nas taças. Um grupo de jovens tira selfies ao fundo, enquanto um casal de idosos saboreia a casquinha de doce de leite, rindo de histórias passadas. Saio da Sésamo com o copo ainda na mão, o pistache ainda derretendo levemente, e sinto que a tarde ganhou um sabor que vai ficar na memória até a próxima visita.
A Sésamo não é apenas um ponto de parada para o sorvete; é um pequeno refúgio onde o tempo parece desacelerar, onde cada colher traz uma história e cada sorriso confirma que o lugar tem vida própria.






