É meio-dia e a rua Lupércio Branco vibra com o cheiro de maresia misturado a alho e coentro. No NAU Frutos do Mar, a fila já começa a se formar na calçada, enquanto o som das ondas do Atlântico parece ecoar dos alto-falantes. O sol ilumina a fachada, convidando os clientes a entrar. Dentro, o balcão de caipirinhas já está ocupado por um bartender que mistura a tradicional cachaça com limão e um toque de maracujá, enquanto o aroma da lagosta grelhada invade o ar.
A história do NAU começou há mais de uma década, quando um grupo de pescadores da região decidiu levar o frescor da pesca local para um ambiente urbano. O cardápio, embora simples, tem um ponto de apoio: a lagosta ao molho de manteiga e ervas, servida com arroz negro e legumes crocantes. O prato chega à mesa, a carne da lagosta macia, quase a ponto de se desfazer ao toque do garfo, e o molho, rico e levemente ácido, contrasta com o arroz de perfume terroso. Por R$ 78,00, a experiência parece um pequeno luxo à beira da praia.
Os clientes falam em voz alta sobre a moqueca de jacó, descrita como “um caldo que abraça o paladar”. Uma família que visita todo domingo comenta que o prato tem “a quantidade certa de pimenta e o toque de dendê que lembra a infância”. Outro cliente, que veio de Recife, elogia a “cocada cremosa que acompanha a sobremesa, um final doce que equilibra o salgado do almoço”. A variedade de caipirinhas, especialmente a de caju com gengibre, também rende elogios: “refrescante, com aquele calor que só a cachaça tem”, diz um grupo de amigos que chegou depois da aula de surf.
O interior do restaurante tem uma decoração que lembra as casas de pescadores. À tarde, o movimento muda: o almoço dá lugar ao happy hour, e o bar fica mais movimentado. O som de risadas se mistura ao tilintar dos copos, e a brisa que entra pela porta aberta traz o cheiro de peixe grelhado ainda quente. O serviço, rápido e atencioso, faz com que os clientes se sintam em casa, como se fossem parte da comunidade que frequenta o local há anos.
Quando o relógio marca 18h30, o NAU se prepara para fechar mais um dia de sabores. O último cliente ainda saboreia a lagosta, enquanto o bartender serve uma última rodada de caipirinha de limão siciliano. Saio do restaurante com o gosto da manteiga ainda na boca e a sensação de ter descoberto um ponto de encontro onde a tradição do mar encontra a modernidade da cidade. Na próxima visita, voltarei ao mesmo balcão, talvez para experimentar a lagosta de novo, porque aqui, cada prato tem uma história que se repete, mas nunca perde a magia.
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