É 19h de uma terça‑feira e o Beco das Cores vibra com o som de garrafas de cachaça batendo e risadas que ecoam nos azulejos. Eu estou no balcão de Takeshi Sushi Bar, sentindo o aroma de arroz quente misturado ao leve perfume do peixe fresco. A luz amarela dos lanternins ilumina a bancada onde o chef corta o peixe com precisão quase ritualística. Ao fundo, um trio de guitarras acústicas toca um samba‑jazz que faz o lugar parecer um pequeno festival.
O cardápio, embora simples de navegar, revela a dedicação do chef à tradição japonesa. O temaki de atum, servido em alga crocante e finalizado com sementes de gergelim, chega por R$ 42,00. Cada mordida combina a maciez do peixe, a picância da pimenta e o toque levemente adocicado do molho shoyu. Ao lado, o sashimi de salmão, fatiado a 2 mm, brilha como rubi sobre o prato de cerâmica. O arroz do nigiri tem a consistência exata – firme por fora, macio por dentro – e o wasabi caseiro entrega um calor que desperta os sentidos sem dominar.
Os clientes voltam por mais do que a comida. Uma família de quatro, sentada perto da janela, comenta que as terças‑feiras são “animado” e que a música ao vivo cria um clima “mágico”. Um casal de turistas, recém‑chegados, descreve o serviço como “rápido e atencioso”, elogiando a forma como o garçom explica cada corte de peixe. Um frequentador de longa data destaca que “o sabor do peixe nunca decepciona” e que a “cachaça artesanal da casa combina perfeitamente com o sushi”. Esses fragmentos revelam um padrão: a combinação de comida de alta qualidade, ambiente descontraído e atenção ao detalhe cria um ritual que os clientes repetem semanalmente.
A história do Takeshi começa com um imigrante japonês que chegou a Porto Seguro nos anos 80 e decidiu abrir um pequeno bar de sushi no Beco das Cores, então um corredor de artesanato. Hoje, o local mantém a fachada original – uma porta de madeira pintada de vermelho e um letreiro em kanji que diz “Takeshi”. Dentro, as paredes são decoradas com quadros de paisagens de Osaka, enquanto mesas de madeira escura dão um ar de tradição. O chef, filho do fundador, continua a usar as mesmas técnicas de corte aprendidas do pai, mas adiciona toques locais, como a cachaça na marinada do peixe.
Ao sair às 22h, ainda com o sabor do peixe ainda no paladar, percebo que o Takeshi não é apenas um restaurante; é um ponto de encontro onde a cultura japonesa se mistura ao ritmo baiano. A última foto que vejo antes de fechar a porta é a do balcão iluminado, o chef ainda preparando rolos enquanto a música diminui. Volto para casa com a certeza de que, na próxima terça‑feira, estarei novamente ali, esperando o próximo prato que vai surpreender meus sentidos.
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