É fim de tarde, o sol já se põe sobre o calçadão de Copacabana e a brisa traz o perfume salgado do mar misturado ao aroma forte de carne de sol assada. Na Barraca da Chiquita, um grupo de amigos ocupa a mesa de madeira desgastada, risadas se misturam ao som de forró que ecoa da caixa de som ao fundo. O garçom chega com um prato de aipim crocante ainda quente, ainda soltando vapor, e a conversa gira em torno do próximo pedido.
A Barraca da Chiquita nasceu de um sonho de dois irmãos que cresceram no interior de Pernambuco e decidiram levar um pedaço da cultura nordestina para a orla carioca. O espaço, simples, com bandeirinhas coloridas e um mural que celebra festas juninas, lembra as feirinhas de rua que eles frequentavam em casa. O cardápio, embora enxuto, destaca o baião de dois, a carne de sol na manteiga de garrafa e a moqueca de peixe, pratos que os clientes descrevem como “casinha”. "Tudo aqui tem aquele toque caseiro", escreveu um visitante nas avaliações, e a frase acabou se tornando quase um slogan não oficial.
O prato que realmente define a experiência é o baião de dois, servido em uma panela de barro que mantém o calor por horas. O arroz chega soltinho, o feijão com pedaços de carne de sol que se desfazem ao primeiro garfo, e o queijo coalho derretido por cima cria uma camada cremosa. Cada colherada traz o contraste da textura macia da carne com o crocante do torresmo espalhado por cima. Um cliente escreveu: "A primeira mordida me transportou direto para a minha avó na fazenda". Outro comentou que o preço está justo para a qualidade, reforçando que a Barraca oferece um valor que cabe no bolso sem perder a autenticidade.
Durante a noite, o forró ao vivo ganha força e a clientela muda. Jovens casais, grupos de turistas e moradores da região se juntam ao som da sanfona, enquanto pedem uma porção de carne de sol com aipim e um copo de cachaça artesanal. Uma terceira avaliação relata: "O ambiente é alegre, a música faz a gente dançar mesmo sem saber os passos, e a comida acompanha a festa". O ritmo da música parece sincronizar com o ritmo do mar, criando uma atmosfera única que faz da Barraca da Chiquita mais que um restaurante – é um ponto de celebração da cultura nordestina no Rio.
Quando a madrugada se aproxima e as luzes da orla começam a piscar, ainda há mesas ocupadas. O cheiro de peixe na moqueca ainda paira no ar, e o garçom anuncia que a cozinha fechará às 23h30, mas a música continuará até o último cliente sair. Saio da Barraca com o coração aquecido, o paladar ainda lembrando o sabor da carne de sol e a mente cheia da melodia do forró. Na próxima visita, sei que voltarei ao mesmo lugar, porque a combinação de comida, música e gente cria uma memória que permanece muito depois das ondas quebrarem na praia.






