É 20h30 numa quinta-feira de sexta-feira de verão, e o Leblon vibra com o som distante das ondas. Na calçada da Rua Conde de Bernadotte, 26, a porta de madeira do San Omakase se abre para um grupo de amigos que ainda carregam o calor da praia. O aroma de arroz recém‑cozido e peixe fresco invade o ar, misturando-se ao perfume sutil de chá verde que sai da barra de chá. O sushiman, concentrado, desliza a faca sobre o peixe como se fosse um pintor, e eu sinto a expectativa crescer a cada corte.
O San Omakase não é apenas um restaurante; é um laboratório de sabores que respeita a tradição e a ousadia. O menu degustação, que custa entre R$ 160 e R$ 180, oferece dez peças que evoluem como uma sinfonia. Começo com o nigiri de toro, cuja gordura se desfaz na boca, lembrando manteiga derretida sobre torrada. Em seguida, o sashimi de hamachi, servido com uma pitada de sal marinho e um fio de óleo de gergelim, traz um frescor que corta o calor da cidade. O prato‑estrela, porém, é o “Omakase Especial” – um roll de vieira, abacate, e crosta de tempurá, finalizado com espuma de yuzu que explode em cítrico ao primeiro contato. Cada mordida custa R$ 48, mas o prazer que entrega vale cada centavo.
Os visitantes retornam pelo ritual da atenção ao detalhe. Uma cliente escreveu: “A equipe me fez sentir parte da família, e o chef André Rush explicou cada ingrediente como se fosse uma história”. Outro cliente comentou: “Os drinks são tão refinados quanto os sushis; o coquetel de saquê com gengibre me surpreendeu”. Um terceiro elogio destaca: “O ambiente silencioso, com luz baixa e música japonesa suave, cria o cenário perfeito para conversar sem pressa”. Esses relatos revelam que o San Omakase conquista não só pelo prato, mas pelo cuidado humano que permeia o serviço.
A história do San Omakase começou quando o chef André, apaixonado pela cultura gastronômica japonesa, decidiu abrir um espaço que unisse a precisão do sushi tradicional à criatividade contemporânea. O interior, de linhas minimalistas, exibe um balcão de madeira clara onde o sushiman trabalha ao vivo, e paredes que exibem poucos quadros de arte japonesa. À medida que o jantar avança, a iluminação muda sutilmente, destacando o brilho dos peixes e a textura dos tempurás. Por volta das 22h, a maioria dos clientes já está imersa na experiência, alguns ainda trocando histórias sobre a visita ao museu do bairro.
Quando a noite se encaminha para o fim, o grupo de amigos se reúne novamente na porta, agora iluminada por luzes amarelas que dão um tom dourado à rua. Ainda sinto o sabor do yuzu no paladar e a lembrança da conversa descontraída. Saio do San Omakase com a certeza de que aquele ritual de sabores ficará gravado na memória, pronto para ser repetido em outra visita. O Leblon tem muitos encantos, mas poucas noites chegam a ser tão marcantes quanto a que passei naquele pequeno templo da culinária japonesa.






