É 17h de uma tarde quente de sábado e eu já estou na calçada em frente à Churrascaria Cho Sun Gal Bi Anália Franco, esperando a porta abrir. O cheiro de carvão quente se mistura ao perfume de temperos asiáticos, e o burburinho das mesas ao fundo cria um ritmo que combina perfeitamente com o som da grelha. O relógio marca 17:15, e o primeiro garçom chega com um sorriso simpático, trazendo um copo de água gelada e explicando o rodízio de carnes que vai começar.
Ao entrar, a luz suave do interior revela mesas de madeira escura e um balcão onde chefs habilidosos manejam facas afiadas. O cardápio, embora focado em churrasco coreano, traz opções que lembram o conforto de um lar brasileiro: bifes de carne wagyu, costela de porco caramelizada e frango ao molho de gochujang. O prato assinatura, o "Galbi de Wagyu", chega em uma travessa de ferro quente, coberto por uma camada brilhante de molho agridoce que reluz sob a luz. Cada fatia tem a textura macia de manteiga, o sabor é um equilíbrio entre o doce do mel e o picante sutil da pimenta, e o final deixa um leve toque defumado que persiste no paladar. O preço está entre R$ 140 e R$ 160, o que, para um rodízio de qualidade, parece justo.
Os frequentadores habituais chegam cedo, alguns já sentados na barra, trocando histórias sobre o trânsito de São Paulo enquanto aguardam a primeira rodada de carnes. Uma cliente de 32 anos comenta que volta sempre porque "o atendimento é sempre tão simpático, e a grelha nunca falha". Um casal de turistas, que descobriu o lugar por indicação de um amigo, elogia a variedade: "Nunca experimentei tanta carne diferente em um só lugar, e o molho de gochujang é incrível". Um grupo de amigos, reunido para celebrar um aniversário, destaca a liberdade de escolher entre as opções: "Aqui a gente pode comer tudo que quiser, sem pressa". Esses trechos dos comentários refletem a atmosfera descontraída e a confiança que o estabelecimento ganhou ao longo dos anos.
A história da Cho Sun começa com uma família coreana que chegou ao Brasil nos anos 2000, trazendo a tradição do churrasco à moda de casa. O fundador, que ainda trabalha na cozinha, decidiu abrir o primeiro restaurante em Anália Franco para atender a comunidade local que buscava sabores autênticos. Hoje, a equipe mantém a mesma paixão, e a grelha continua sendo o coração pulsante do espaço. As noites de sexta-feira se estendem até as 23h, e o ambiente se enche de risos, copos de cerveja gelada e o som da carne chiando.
Ao fechar a noite, por volta das 22h30, a rua já está mais silenciosa, mas o brilho das luzes do restaurante ainda atrai quem passa. Saio com a sensação de ter vivido um momento típico do Tatuapé: comida boa, gente calorosa e um canto da cidade que parece ter seu próprio ritmo. Se você ainda não cruzou a porta da Cho Sun, a próxima visita pode começar às 12h, quando o almoço começa a ferver, ou à noite, quando a brasa ganha ainda mais força. Cada visita revela um detalhe novo, e a certeza é que o sabor permanece inalterado – puro, intenso e memorável.






