É 9h da manhã na Vila Romana. A calçada em frente ao Mount Zion Vegan já vibra com o som de conversas animadas e o cheiro inconfundível de feijoada vegana que escapa da porta aberta. Um grupo de estudantes, ainda com mochilas, se reúne à mesa da janela, enquanto um casal de aposentados compartilha um pão de alho crocante. O sol entra pelas janelas grandes, iluminando as paredes, e a energia do lugar parece pulsar ao ritmo de uma playlist de samba indie.
Montado num prédio antigo, o restaurante tem uma história que começou há quase uma década, quando um chef apaixonado por culinária plant‑based decidiu abrir um espaço que fosse tão honesto quanto os ingredientes que usava. O cardápio, que varia entre R$ 20 e R$ 40, traz clássicos brasileiros reinterpretados. A feijoada vegana, servida em uma tigela de barro, é o carro‑chefe: feijão preto cozido lentamente, legumes defumados, tofu marinado que lembra a carne seca, tudo finalizado com farofa crocante de castanhas. Cada colher traz um contraste de maciez e crocância, o caldo quente traz notas terrosas e um leve toque de fumaça que lembra a lenha do fogão a lenha tradicional.
Os frequentadores têm opiniões que se repetem como um refrão. Um cliente escreveu “Tudo perfeito, a feijoada me fez esquecer que era vegana”. Outro destacou “A coxinha de jaca é a melhor que já provei, crocante por fora e suculenta por dentro”. Uma terceira voz, de quem voltou pela primeira vez, comentou “Os salgados são honestos, o sabor lembra a comida de casa”. Esses relatos mostram que o lugar não é só sobre comida, mas sobre a sensação de conforto que traz ao paladar. Além da feijoada, o menu inclui um parmegiana de berinjela que custa R$ 32, acompanhada de arroz integral e batata rústica, e um pastel de doce de leite vegano por R$ 18, que derrete na boca como lembrança de infância.
Ao meio‑dia, a fila se alonga e o barulho aumenta. O atendente, sempre com um sorriso, recomenda o suco de caju fresco, que custa R$ 12 e corta a intensidade da feijoada com sua acidez. Dentro, mesas de madeira rústica convivem com cadeiras de metal, criando um ambiente que parece ao mesmo tempo moderno e acolhedor. A decoração contribui para o ambiente acolhedor. O ritmo desacelera quando o relógio marca 3h, e a luz do fim de tarde cria sombras que realçam a textura dos pratos.
Quando deixo o Mount Zion Vegan, ainda sinto o perfume da feijoada no ar e a lembrança das risadas ao redor da mesa. O lugar provou que comida vegana pode ser tão reconfortante quanto a tradicional, sem precisar sacrificar sabor ou memória. Volto em breve, talvez às 7h da manhã, para experimentar a nova versão do bolo de chocolate vegano que, segundo o chef, será lançada na próxima semana. Enquanto isso, a Vila Romana tem seu ponto de encontro garantido, onde cada prato conta uma história e cada visita deixa um gosto de quero mais.






