É 16h45 numa terça-feira quente em Caxias do Sul. A fila na calçada do Urca Onzi Café já começa a se formar, jovens com skate, mães com carrinhos e um cachorro quente que parece mais um convite. O ar carrega o perfume doce‑cremoso do sorvete artesanal que sai da vitrine gelada, enquanto o som das conversas se mistura ao tilintar das colheres contra os copos de vidro.
Urca Onzi Café, localizado na R. Moreira César, 2920, tem um cardápio que parece um livro de memórias da infância. O destaque, o sorvete de doce de leite com brownie, custa R$ 12,00. A primeira colher traz a textura aveludada do doce de leite, seguida por pedaços de brownie ainda quentes que se desfazem ao contato, criando um contraste de calor e frio que faz o paladar vibrar. Ao lado, o sorvete de pistache, R$ 11,50, traz um verde sutil que lembra o frescor das folhas de hortelã, e o clássico de fruta‑pão, R$ 10,00, lembra as feiras de rua da região.
O lugar nasceu de uma paixão da filha do fundador, que estudou gastronomia em Porto Alegre e trouxe a ideia de um buffet de sorvetes onde o cliente monta a própria combinação. O ambiente tem mesas de madeira rústica, paredes pintadas de azul pastel e um balcão onde o atendente, sempre sorridente, recomenda sabores com a mesma empolgação de quem apresenta um novo álbum. As paredes exibem fotos antigas da família, reforçando a sensação de estar em casa.
“O brownie derrete na boca, combina perfeitamente com o sorvete de doce de leite,” escreveu um cliente satisfeito no Google. Outro visitante comentou: “Adoro vir aqui nas terças‑feiras, o ambiente é super simpático e o cachorro quente acompanha bem o sorvete.” Uma terceira avaliação elogiou: “O atendimento é atencioso, a filha do dono sempre tem uma sugestão de sabor que surpreende.” Esses relatos mostram que a experiência vai além do sabor; é o calor humano que mantém a fila sempre cheia.
Ao fechar as portas às 19h, o sol já baixa e a rua se ilumina com luzes amarelas. Ainda há quem permaneça, saboreando o último copo de sorvete enquanto a cidade desacelera. O cheiro ainda paira, lembrando que, naquele canto da Rua Moreira César, o tempo realmente parece parar, ao som de risos e colheres que continuam a girar.






