É 7h30 de uma quinta‑feira na Pituba. O sol ainda tímido lança raios dourados sobre a calçada, e eu já estou na fila do Solange Café, sentindo o perfume forte de café espresso misturado ao cheiro doce de coco que vem da cozinha. Ao fundo, a música baixa de um violão ao vivo cria um clima de conversa descontraída; ao meu lado, um estudante revisa anotações enquanto mastiga um biscoito crocante. O balcão já reluz com xícaras de porcelana branca, prontas para receber os primeiros pedidos da manhã.
O Solange Café, na Rua das Hortênsias, 422, tem sido meu refúgio desde que descobri seu cardápio simples, porém cheio de opções regionais. A tapioca de queijo coalho com coco ralado, vendida por R$ 25, destaca‑se como a estrela da casa: a massa fina, levemente dourada, estala ao morder, liberando um contraste entre o salgado do queijo e a doçura do coco. Ao lado, o cuscuz de milho com manteiga de garrafa, por R$ 22, traz a textura macia que lembra as manhãs de infância na fazenda da avó. Cada prato chega em pratos de cerâmica rústica, decorados com folhas de bananeira que dão um toque artesanal.
Os frequentadores comentam que o ambiente combina o charme de uma cafeteria tradicional com toques de cultura baiana. Uma cliente escreveu que o “ambiente lembra a casa da avó, com cadeiras de madeira e quadros de paisagens da Bahia”, enquanto outro destacou que o “café tem aquele aroma que faz a gente ficar o dia inteiro”. Os clientes também celebram o atendimento: “os baristas são super atenciosos, sempre perguntam como prefiro o café”, diz um estudante que vem todos os dias para estudar. A decoração mistura azulejos coloridos e plantas suspensas, criando um espaço que convida a ficar mais tempo, seja para uma reunião de trabalho ou para ler um livro.
Ao meio‑dia, o fluxo aumenta. O salão se enche de trabalhadores em busca de um almoço rápido, e o som das xícaras batendo no balcão se mistura ao burburinho das conversas. O beiju de carne de sol, servido por R$ 28, conquista quem procura um prato mais robusto; a carne desfiada, temperada com pimenta de cheiro, combina com a massa crocante, gerando uma explosão de sabores que faz o paladar vibrar. Por fim, o pamonha doce, acompanhada de mel de engenho, fecha a refeição com um toque de nostalgia.
Quando o relógio marca 3h, a luz do sol entra pelas janelas grandes, iluminando as mesas de madeira que ainda guardam algumas migalhas de biscoitos. Eu volto ao balcão para um último café, desta vez um latte com espuma de leite que desenha corações na superfície. Saio do Solange Café com a sensação de ter passado um dia inteiro dentro de um abraço caloroso, pronto para enfrentar a agitação da cidade, mas ainda carregando o sabor da tapioca crocante na memória.






