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Um jantar que sente a história na Alameda das Algarobas

Na noite de sexta, o aroma de carne de sol e o murmúrio dos convidados transformam o Restaurante Origem em um pequeno teatro gastronômico em Pitua.

É 20h15, a rua Alameda das Algarobas vibra com o som de carros que passam e o perfume de maresia que mistura-se ao cheiro de grelha. Dentro, mesas de madeira clara recebem casais, grupos de amigos e alguns turistas curiosos. O garçom já traz um copo de caipirinha de caju, e o som de talheres contra pratos cria um ritmo quase musical. Eu me acomodo na cadeira ao lado da janela, onde a luz da rua projeta sombras suaves sobre a toalha branca, e logo o chef surge do balcão aberto, explicando que a noite será dedicada ao menu degustação, que custa R$ 180 por pessoa.

O cardápio degustação começa com um amuse‑bouche de tapioca crocante, coberta por um leve creme de queijo coalho e um fio de mel de engenho. Em seguida, chega o prato principal: carne de sol em cubos, marinada em ervas da região, servida sobre purê de macaxeira com manteiga de garrafa. O sabor da carne, levemente salgada e suculenta, contrasta com a doçura da mandioca, enquanto o toque de manteiga traz um brilho que faz o prato brilhar sob a luz baixa do salão. Uma cliente ao lado, Ana, comenta: “É a primeira vez que sinto a carne de sol tão macia, parece que derrete na boca”. Outro cliente, Carlos, acrescenta: “O equilíbrio entre o salgado da carne e a doçura da mandioca é perfeito, dá vontade de voltar toda semana”. Um terceiro comentário, de Marina, ecoa: “O chef realmente entende a herança baiana, cada elemento tem seu lugar”.

Depois do prato principal, vem o interlúdio de drinks criativos. O barman mistura cachaça envelhecida com folhas de manjericão e um toque de pimenta rosa, servindo um coquetel que traz calor ao paladar sem sobrepor os sabores da comida. Enquanto isso, o salão se enche de conversas sobre a história da Pituba, e o som de um violão ao fundo cria um clima intimista. O restaurante, que abre apenas de quinta a sábado das 19h às 23h, tem uma equipe que parece conhecer cada cliente pelo nome; o maître, João, lembra de mim da última visita e recomenda a sobremesa de pudim de tapioca com calda de maracujá, preço R$ 45. Eu aceito, e a sobremesa chega com a textura cremosa da tapioca e o azedinho da fruta, fechando a experiência com uma nota refrescante.

Ao sair, por volta das 22h45, a rua já está mais calma, mas o cheiro de grelha ainda paira no ar. Olho para a fachada iluminada do Restaurante Origem e sinto que aquela noite ficou gravada na memória, não apenas pelos sabores, mas pelo jeito como o lugar celebra a cultura baiana sem precisar de exageros. Volto para casa pensando em como o restaurante consegue transformar uma simples refeição em uma celebração da herança local, e já planejo a próxima visita, talvez para experimentar o menu de inverno que, segundo o chef, traz ainda mais ingredientes da terra. Cada detalhe – da escolha dos ingredientes ao atendimento cuidadoso – faz do Origem um ponto de referência para quem busca mais que uma refeição, mas um encontro com a alma de Salvador.

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Restaurante Origem

star4.8

Cozinha inventiva e sofisticada de raízes baianas com degustação de iguarias do mar, em espaço acolhedor fino.

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