É 7h30 numa terça‑feira de fim de semana em Fortaleza. O sol ainda se arrasta preguiçoso sobre a Av. Mozart Pinheiro de Lucena e o ar carrega o perfume de carvão e temperos. Na calçada em frente ao Braseiro – Quintino Cunha, um grupo de trabalhadores de loja, uma família com crianças e um casal de turistas se aglomeram ao redor das mesas de metal. O som da grelha chiando mistura‑se ao riso das pessoas que esperam o primeiro prato. A fachada simples, com um letreiro de neon amarelo, já anuncia que o dia começou com carne.
Ao entrar, o ambiente revela paredes pintadas de branco, um balcão de aço inox onde o churrasqueiro vira espetos com destreza. O cardápio, embora enxuto, destaca a picanha na brasa por R$18, o famoso tri‑tip por R$20 e o frango assado, descrito pelos clientes como “succulent chicken”. A primeira mordida na picanha traz uma crosta levemente carbonizada que cede a um interior rosado, suculento, temperado com sal grosso e um toque de alho. O sabor lembra o baião de velho, mas em forma de carne. Ao lado, as batatas fritas crocantes, douradas, acompanham a carne como um contraponto salgado.
Os frequentadores voltam por motivos diferentes. Um cliente escreveu: "succulent chicken" e elogiou a carne de frango que permanece úmida mesmo após o tempo de grelha. Outro visitante destacou: "tri‑tip" e descreveu a textura macia que quase se desfaz ao cortar. Uma terceira voz, mais discreta, elogiou o "polite staff", lembrando que o atendimento rápido e sorridente faz a diferença nos dias de almoço corrido. O local serve comida quente o dia todo, mantém a qualidade do produto e oferece salsichas que lembram as feiras de rua.
A história do Braseiro começou há mais de uma década, quando o proprietário, apaixonado por churrasco de raiz, decidiu montar um ponto ao lado do Supermercado Cometa. A escolha do bairro Quintino Cunha foi estratégica: a região tem fluxo constante de moradores e trabalhadores que buscam um almoço rápido sem abrir mão de sabor. Hoje, o horário de funcionamento – de 8 am a 3:30 pm todos os dias – reflete a rotina da comunidade, que costuma almoçar por volta das 12h, mas também atrai quem chega mais cedo para um lanche reforçado.
Ao final da tarde, quando o sol se põe e o cheiro de carvão ainda paira, o Braseiro continua movimentado. O barulho das facas cortando a carne se mistura ao som da música popular ao fundo. Volto ao ponto onde tudo começou: a calçada, o letreiro, o aroma que ainda me lembra da primeira visita. Agora, com a picanha ainda na memória, sei que aquele lugar não é apenas um restaurante; é um ponto de encontro onde o churrasco une gente de todas as idades, e onde cada visita traz a certeza de encontrar comida de qualidade servida com um sorriso.






