É 19h de sexta‑feira na Praia do Canto. O sol já se esconde atrás do mar e a rua R. Celso Calmon começa a encher de gente que procura um lugar para abrir a noite. Dentro do Seu Quinto Botequim, o ar carrega o aroma familiar de um bar. O bar está cheio, mas o atendente Samuel, com seu sorriso largo, ainda tem tempo de puxar uma conversa sobre o jogo de futebol que acabou de terminar.
O balcão de madeira escura ostenta pratos que parecem ter sido tirados de um filme de bar tradicional. O polvo à lagareiro, servido em uma travessa de cerâmica, chega com a pele levemente carbonizada, azeite reluzente e batatas douradas ao lado. Cada garfada traz um contraste de maciez do marisco e a crocância da batata. Um cliente escreveu: "O polvo está incrível, suculento e bem temperado, vale cada centavo". Ao lado, o torresmo crocante ainda faz o barulho característico ao ser mordido, sendo descrito como "crocante por fora e macio por dentro".
Mas o que realmente prende a gente são as histórias que circulam pelos bancos de madeira. Uma frequentadora de longa data disse: "O atendimento aqui é sempre simpático, o Samuel lembra do seu nome e da sua pedida favorita". Essa atenção ao cliente transforma a simples ida ao boteco em um encontro de amigos. As sextas‑feiras são o ponto alto: a música ao vivo, o som da garrafa sendo aberta e o riso coletivo criam uma atmosfera que faz o tempo parar por alguns minutos. O cardápio de boteco, embora sem preço listado, inclui pastel de carne crocante, vinagrete fresco e a famosa pipoca temperada, tudo servido em porções generosas.
A história do Seu Quinto Botequim começa em 2012, quando três amigos decidiram abrir um espaço que fosse mais que um bar – um ponto de encontro para quem trabalha no centro e para quem mora perto da praia. O nome faz referência ao quinto botequim que eles visitaram em viagens, aquele que deixou a impressão de que a boa comida e a boa companhia podem mudar o humor de qualquer pessoa. Essa origem se reflete na decoração simples, mas cheia de detalhes que lembram as noites de pescaria: redes penduradas, conchas espalhadas e uma jukebox que toca clássicos do samba‑rock.
À medida que a noite avança, a música baixa e a luz do interior fica mais quente. O bar continua cheio, mas a conversa flui como um rio tranquilo. Você vê grupos de colegas de trabalho brindando, casais compartilhando uma porção de pastel e um turista tirando foto da fachada iluminada. Quando o relógio marca 23h, Samuel ainda está lá, limpando o balcão e preparando a última rodada de caipirinhas. O Seu Quinto Botequim não é apenas um lugar para beber; é um pequeno palco onde cada cliente tem um papel, onde o cheiro de fritura e o som de copos brindando contam histórias que se repetem a cada sexta‑feira.






